Ler nunca sai de moda. Nunca saiu, aliás. Mas de uns tempos pra cá, a leitura deixou de ser apenas um hábito silencioso de quem gosta de boas histórias e virou quase uma declaração pública de identidade. Ler passou a ser estilo de vida. Basta olhar para a quantidade de clubes do livro surgindo por aí e para o fenômeno do BookTok.
E como toda tendência que ganha força cultural, a moda, sempre atenta, resolveu fazer o que sabe de melhor: transformar comportamento em estética. Foi assim que a Coach, durante a New York Fashion Week, a campanha de primavera 2026, “Explore Your Story”, uma proposta que não só une literatura e acessório, mas coloca o livro como símbolo de pertencimento em plena era digital acelerada.
O burburinho começou quando uma fã registrou Elle Fanning lendo tranquilamente no metrô da Big Apple. A cena, que poderia ser apenas um instante cotidiano, ganhou contornos de imagem-conceito: a leitura como refúgio no caos urbano. Logo, outras figuras da campanha, que reúne nomes como Storm Reid, SOYEON, Lilas, Paige Bueckers e Shan Yichun, passaram a compartilhar suas próprias escolhas literárias. Entre os títulos, aparecem obras como Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, e narrativas potentes como Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, de Maya Angelou, além do delicado The Forest of Wool and Steel, de Natsu Miyashita.
Mas agora, o que antes ficava escondido dentro da bolsa, ganha protagonismo do lado de fora. Dando adeus aos Labubus, os novos queridinhos são pequenas versões de clássicos da literatura transformados em charms. Criadas em parceria com editoras como a Penguin Random House e casas independentes da China, Japão e Coreia.
A própria marca explicou que a ideia surgiu de conversas com a Geração Z, que enxerga os livros como um refúgio, uma forma de desacelerar, refletir e construir identidade em meio à avalanche digital. A campanha vai além das imagens: inclui ativações em universidades, espaços “Book Nook” nas lojas e ações comunitárias.
E se você, assim como eu, já carrega um livro para cima e para baixo no transporte público, talvez essa seja apenas a oficialização de algo que a gente sempre soube. E, pelo visto, agora também é detalhe de moda. A literatura, discreta e poderosa, encontrou mais uma maneira de ocupar espaço, inclusive nas passarelas.







