Latte & Read #36 | Maio 2026
Eu sou uma pessoa com alguma experiência prévia com enteógenos, mas ler esse livro, que na verdade funciona muito mais como um manual do que como uma obra puramente teórica, ainda assim foi profundamente enriquecedor. Os autores trazem uma introdução muito rica sobre o Livro Tibetano dos Mortos, estabelecendo paralelos instigantes entre os estados descritos no texto budista e as fases da experiência psicodélica. É um guia essencial para quem busca alguma base teórica antes da prática, embora, como eles mesmos deixam claro, a prática quase sempre escapa à teoria.
O que mais me chamou atenção foi a tentativa de mapear o indizível: A dissolução do ego, a experiência do vazio e o retorno ao “eu”. A proposta de encarar a experiência psicodélica como uma espécie de morte simbólica, e posterior renascimento, é profundamente espiritual. No entanto, é importante dizer que o livro não romantiza a experiência. Existe um cuidado em destacar a importância do ambiente, do estado mental e da intenção, elementos que, na prática, fazem toda a diferença entre uma experiência reveladora e uma experiência desafiadora.
Ainda que o livro tenha sido escrito dentro de um contexto muito específico, ele transcende o seu tempo ao propor algo que continua atual: o uso dessas substâncias não como fuga, mas como ferramenta de expansão da consciência.
⭐⭐⭐⭐⭐

