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It Girls & The Cool Girls Book Club | Mulheres que correm com lobos de Clarissa Pinkola Estés

Latte & Read #25 | Janeiro 2026

Essa resenha nasce de uma releitura, e releituras são criaturas perigosas. Elas revelam quem nós fomos e quem nos tornamos. Quando li a primeira vez ainda era menina, talvez não em idade, mas mentalmente e, apesar de acreditar que ainda somos todas um pouco meninas, essa releitura mais madura trouxe novas camadas de simbolismo. Desde a primeira vez que farejei Mulheres que Correm com os Lobos me senti atraída, acredito que ouvi o uivar da Mulher Selvagem sem nem ao menos saber do que se tratava ainda.

Devorei o livro em pouco tempo e achei cada palavra de uma beleza tão única que se tornou meu livro preferido desde então. Ainda é. No entanto, hoje a leitura foi mais lenta, mais densa, pausada em cada história e reconhecendo os lugares que agora já havia percorrido. Na primeira vez, li com fome. Fome de respostas, de pertencimento, de espelho. Agora, leio com escuta. Mais madura, menos aflita. Antes eu queria entender o livro; hoje, eu deixo que ele me atravesse. 

Ler Mulheres que Correm com os Lobos é colo e tapa na cara. Para todas as mulheres que estão exaustas e sem rumo, para quem perdeu a intuição e a criatividade, para quem sente que o fogo de Baba Yaga apagou, para quem vagueia pelo deserto como um bicho ferido. Com seus mitos e arquétipos, mais que um livro é um mapa psíquico para seguir quando se está perdida. 

Clarissa não nos promete leveza constante. Ela fala de iniciações, de perdas, de descidas ao submundo. Crescer dói. Tornar-se si mesma exige atravessar florestas onde não há placas. Mas há lobos e eles sabem o caminho.

⭐⭐⭐⭐⭐

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