Latte & Read #11 | Agosto 2025
Milan Kundera constrói em A Insustentável Leveza do Ser um romance denso e filosófico, que mistura história, política, amor e existencialismo em um enredo ambientado na Tchecoslováquia sob a ocupação soviética. O livro não é apenas uma narrativa sobre personagens, mas também uma reflexão sobre a condição humana, a busca por sentido, os dilemas entre leveza e peso, liberdade e responsabilidade.
A história acompanha principalmente Tomas, um médico mulherengo dividido entre o desejo de manter sua vida leve e a profundidade do amor por Tereza, que representa para ele o “peso” da existência. Ao redor deles gravitam Sabina, amante de Tomas e símbolo da fuga e da traição, e Franz, professor apaixonado que se envolve com Sabina. Cada personagem encarna uma forma de viver, e suas escolhas revelam as contradições e fragilidades da existência.
A escrita de Kundera é fragmentada e reflexiva, misturando narrativa, ensaio e filosofia. Ele interrompe a linearidade da história para discutir conceitos, questionar os próprios personagens e até refletir sobre o ato de escrever. É aí que entra a parte que mais me incomodou: a narrativa não segue uma ordem cronológica. Os saltos no tempo, embora intencionais e coerentes com a proposta de Kundera, às vezes dificultam a imersão e quebram um pouco o ritmo da leitura.
Apesar disso, a experiência é muito rica. Gostei do livro justamente por essa mistura entre romance e filosofia, que nos faz pensar sobre nossas próprias escolhas, nossas formas de amar e os pesos que carregamos ou evitamos carregar.
⭐⭐⭐⭐
