No Dia Internacional da Mulher, gostamos de receber flores, chocolates, carinho e reconhecimento. E sim, tudo isso é bem-vindo. Mas este dia nunca foi apenas sobre celebração. Ele nasceu da luta, da resistência e da reivindicação de direitos.
Porque a realidade ainda é dura.
No Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, o que significa, na prática, cerca de quatro mulheres assassinadas por dia simplesmente por serem mulheres. Em dez anos, ao todo, foram mortas 13.448 mulheres.
No mesmo ano, foram registrados mais de 83 mil casos de estupro, o equivalente a uma média de 227 vítimas por dia, aproximadamente 9 vítimas por hora ou um estupro a cada seis minutos no país.
E esses são apenas os casos registrados. Muitos nunca chegam às estatísticas. Por trás de cada número há uma história interrompida, uma família devastada, sonhos que foram silenciados. E o mais assustador: na maioria das vezes, a violência não vem de um estranho na rua. Ela vem de dentro de casa. Por isso, para muitas mulheres, sair de casa não é a única preocupação. Voltar para casa também pode ser.
Vivemos em uma sociedade que ainda carrega estruturas machistas profundas, onde mulheres precisam justificar suas escolhas, provar sua competência duas vezes mais e, muitas vezes, lutar simplesmente pelo direito de existir em segurança.
Por isso, o 8 de março é também um dia de lembrança e reivindicação. Precisamos ocupar espaços. Espaços na política, nas empresas, nas universidades, na ciência, na liderança, na tomada de decisões. Espaços onde ainda somos minoria ou onde, mesmo presentes, continuamos em desvantagem.
Queremos o direito de decidir sobre nossos corpos, nossas trajetórias e nossas vidas. Queremos exercer plenamente direitos que já deveriam ser garantidos. Queremos poder terminar um relacionamento sem medo de sermos mortas. Queremos engravidar sem temer perder o emprego quando voltarmos da licença. Queremos criar nossos filhos com dignidade. Queremos salários iguais para trabalhos iguais. Queremos que nossas vozes sejam ouvidas, respeitadas e levadas em consideração. Queremos viver livres da pressão constante de encaixar nossos corpos, nossas escolhas e nossas vidas em padrões que nos limitam.
Somos muitas e somos a maioria. E seguimos lutando para que cada mulher tenha algo que ainda parece simples demais para precisar ser reivindicado: o direito de escolher como viver sua própria vida, e viver para contá-la.

